A proposta de renúncia das patentes relacionadas às vacinas contra a covid-19, que vem sendo discutida internacionalmente, deve ser considerada somente no âmbito das negociações conduzidas dentro da OMC (Organização Mundial de Saúde), pontuou o diretor de Sistemas e Serviços de Saúde da OPAS (Organização Pan-Americana de Saúde), James Fitzgerald, hoje, 25, durante o webinar “Consórcio Covax: transferência de tecnologia e a pandemia da Covid-19”, organizado pelas Comissões de Direito Internacional da Propriedade Intelectual e de Patentes da ABPI (Associação Brasileira da Propriedade Intelectual). “Nosso conselho é que os países sigam as negociações dentro da OMC e as possibilidades do acordo Trips”, disse. Para Fitzgerald, seja por meio de licenças voluntárias ou compulsórias, o fundamental é que as populações precisam ter acesso às vacinas. Ele observou que muitas das tecnologias desenvolvidas para as vacinas da Covid-19 foram financiadas por recursos públicos dos países. “Hoje, o grande debate é sobre como estas negociações de propriedade intelectual podem se concretizar em acesso da população em geral às vacinas”, disse o diretor da OPAS, agencia internacional de saúde pública das Américas. “O governo que financia as vacinas tem que ter acesso a elas”. Segundo o diretor da OPAS, se quiser, o Brasil pode obter mais doses de vacinas adquiridas junto ao Consórcio Covax, que atualmente está reduzida à cota mínima de 10% da população. “O problema”, diz ele, “é a baixa disponibilidade hoje de vacinas a nível mundial”. Fitzgerald explicou que até agora somente 3% da população da América Latina está coberta pelo Covax. O webinar teve ainda a participação dos co-coordenadores Ana Cláudia Mamede Carneiro, Aline Ferreira de Carvalho da Silva, Roberta Arantes e Ana Cristina Müller.

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