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Desenhando o futuro da Propriedade Intelectual

A futurista Martha Gabriel apresentou, na sua participação na Arena 1 – Novas Tecnologias & Inteligência Artificial, um diagnóstico contundente sobre como a Inteligência Artificial está redesenhando o futuro da Propriedade Intelectual (PI). Segundo ela, a aceleração tecnológica — que nos levou do PC à IA em apenas uma década — exige novas estratégias para proteger e explorar a inovação.

Martha destacou que a IA já atua como cocriadora e coinventora de fato, participando de ideação, design, código, descoberta científica e desenvolvimento de produtos. Isso torna a autoria mais difícil de determinar. A pergunta deixa de ser “quem criou?” e passa a ser “qual foi a contribuição humana relevante?”, especialmente em países como os EUA, onde apenas pessoas naturais podem ser inventoras.

A explosão da inovação assistida por IA é evidente. Patentes relacionadas à IA generativa saltaram de cerca de 14 mil famílias em 2023 para mais de 37 mil em 2025, e os anos de 2024 e 2025 juntos superaram toda a década anterior, segundo a WIPO. A IA reduz drasticamente o custo de experimentar e inventar, criando até a possibilidade de uma hiperprodução de patentes e competição ampliada.

Nesse cenário, dados tornam-se a matéria-prima da inovação. Modelos dependem de datasets, conteúdo proprietário e dados sintéticos, enquanto software e dados figuram entre os intangíveis de crescimento mais rápido. Isso coloca licenciamento, proveniência, contratos e segredos comerciais no centro da estratégia de PI.

Martha enfatizou a ascensão dos segredos comerciais: algoritmos, datasets, prompts, workflows e pesos de modelos podem perder valor se revelados em patentes. Assim, a estratégia deixa de ser “patentear tudo” e passa a exigir portfólios híbridos, combinando patentes, segredos, licenciamento e abertura seletiva. Empresas precisarão decidir com precisão o que proteger e o que abrir para criar ecossistemas.

A ascensão das realidades sintéticas — onde já não se distingue o real do criado por IA — inaugura uma crise de autenticidade. Vozes, rostos, estilos e personagens podem ser replicados em escala, ampliando disputas sobre identidade, imagem e proveniência.

Para Martha Gabriel, o futuro da PI será marcado por decisões estratégicas complexas, em que proteger, licenciar, abrir e ocultar conhecimento se tornam movimentos igualmente essenciais para competir em um mundo onde a IA é parte ativa da invenção.

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