O Painel 6 da Arena 1 do último dia do Encontro Global de Inovação e PI – ABPI 2026 reuniu Juliana Albuquerque, do Conar, e Etienne Sanz de Acedo, presidente da INTA, para discutir os impactos da publicidade digital, da Inteligência Artificial e da transformação do mercado de influência sobre a regulação e a Propriedade Intelectual. Os dois palestrantes apresentaram diagnósticos convergentes sobre a velocidade das mudanças tecnológicas e comportamentais e sobre a necessidade de adaptação das estruturas regulatórias e dos profissionais que atuam no setor. Eles foram recebidos e moderados por Antonella Carminatti, membro do conselho diretor da ABPI.
Juliana Albuquerque afirmou que o ambiente atual impõe desafios para profissionais do direito, empresas e sociedade, especialmente diante da expansão das redes sociais e da multiplicação de formatos de divulgação. Ela destacou que o Conar atua há 46 anos na análise de peças publicitárias e que a autorregulação se posiciona entre a liberdade de expressão, a proteção dos direitos de Propriedade Intelectual e a defesa do consumidor. Segundo Juliana, há pressão crescente para responsabilizar as cadeias de divulgação da publicidade feita por influenciadores, o que envolve dilemas sobre conformidade com a legislação e definição de quem responde pelo conteúdo.
A palestrante enfatizou a importância da transparência na identificação publicitária, afirmando que diretrizes internacionais determinam que o influenciador deve ser explícito ao indicar quando há relação comercial. Ela observou que testemunhais genuínos e endossos de produtos exigem cuidado na linguagem para garantir veracidade das informações, preservando a reputação das marcas e dos influenciadores.
Juliana citou ainda casos recentes envolvendo Inteligência Artificial na publicidade, como o uso da imagem de Elis Regina e o anúncio com Maradona, que levantaram questões sobre consentimento, transparência e respeito ao sentimento de familiares e herdeiros. Ela afirmou que a pandemia marcou uma virada na expansão das redes sociais, trazendo casos envolvendo influenciadores, deepfakes e anúncios legítimos misturados a conteúdos manipulados. Diante desse cenário, o Conar retomou os trabalhos do grupo dedicado à publicidade digital e atualizou o guia de marketing e publicidade para influenciadores. Albuquerque concluiu que o trabalho de governança busca preservar oportunidades do ambiente digital, observando direitos e promovendo ética e transparência, e que a solução para esses desafios será construída de forma conjunta por todos os atores envolvidos.
Etienne Sanz de Acedo apresentou uma análise sobre a transformação do mercado de influência e o papel crescente da Inteligência Artificial na relação entre marcas e consumidores. Ele afirmou que 74% da Geração Z descobre produtos por meio de influenciadores e que o mercado global de influência movimenta cerca de US$ 40 bilhões por ano. Acedo explicou que o avanço dos nano influenciadores e dos influenciadores sintéticos marca a transição para o modelo que chamou de Influencer 2.0, caracterizado por autenticidade, transparência e responsabilização baseada em dados. Segundo ele, a IA se tornou o principal influenciador de massa, alterando a forma como marcas constroem reputação e disputam espaço nas recomendações geradas por sistemas de IA.
Acedo afirmou que a reputação das marcas passa a depender do que a IA aprende e compartilha e que empresas precisam compreender como ocorre a mineração de textos e dados, que coleta informações de websites, publicações e reações de consumidores. Ele questionou se desenvolvedores de IA deveriam obter licenças, se titulares de direitos deveriam ter mecanismos de opt-out, se criadores deveriam ser remunerados e qual nível de transparência deveria ser exigido. O presidente da INTA analisou diferentes modelos regulatórios adotados no mundo e destacou que transparência se tornou o novo campo de disputa regulatória, defendendo que redes sociais e marketplaces compartilhem responsabilidade na identificação de conteúdo sintético e deepfakes.
Acedo afirmou que os mercados de licenciamento tendem a ganhar relevância e que a profissão de Propriedade Intelectual está evoluindo para atuar também na construção de confiança e transparência entre marcas e consumidores. Ele apresentou o AI Roadmap da INTA, estruturado em capacitação interna, educação dos membros, uso de IA aplicada à Propriedade Intelectual e revisão dos serviços oferecidos pela organização.