A Inteligência Artificial está no centro de uma transformação que redefine modelos de negócio em diferentes setores apontaram as palestras de João Paulo Rio Branco Nabuco de Gouvêa, da ElevenLabs, e Remco Visser, da Saga. No debate na Arena 1 sobre o tema, ambos mostraram como a tecnologia rompe estruturas tradicionais, cria oportunidades econômicas e exige novas abordagens de segurança, ética e competitividade. O debate foi moderado pela conselheira da ABPI, Fernanda Magalhães.
João Paulo mostrou como a ElevenLabs construiu um ecossistema de clonagem de voz baseado em consentimento, controle e remuneração justa. A empresa desenvolveu soluções como o Iconic Marketplace, que licencia vozes de celebridades, e a Voice_Library, voltada ao público geral. Cada uso de voz depende de autorização explícita e gera royalties — mais de 26 milhões de dólares já foram distribuídos.
A segurança é parte central da operação: tecnologias como No-Go Voices bloqueiam tentativas de clonar vozes de figuras públicas, enquanto o Voice_Captcha impede a personificação indevida. João Paulo também destacou a parceria com o TSE, que permite proteger vozes de candidatos e autoridades durante o período eleitoral. Para ele, a IA deve ampliar possibilidades sem substituir identidades, criando um ambiente seguro e economicamente sustentável para talentos.
Remco Visser, por sua vez, mostrou como a IA está quebrando o equilíbrio histórico da profissão jurídica. Ele lembrou que 90% da demanda jurídica nos EUA permanece não atendida, revelando uma oportunidade para serviços mais eficientes, acessíveis e automatizados. Previsões de extinção profissional, como a de radiologistas, não se concretizaram: a automação expandiu mercados em vez de eliminá-los. No direito, a IA pode atuar de forma preventiva monitorando prazos, revisando contratos automaticamente e identificando riscos em e-mails e abrindo espaço para modelos de negócio baseados em monitoramento contínuo e serviços jurídicos preditivos.
Visser afirmou que a competitividade na advocacia foi rompida: escritórios que adotam IA tornam-se mais eficientes e entregam trabalhos de qualidade superior, enquanto outros permanecem presos a métodos tradicionais. A Saga se posiciona como parceira de transformação, oferecendo uma plataforma integrada ao Word e ao Outlook, workflows automatizados, revisão em larga escala de documentos, geração de contratos e ferramentas de raciocínio jurídico. Com mais de 500 equipes atendidas, a empresa aposta em modelos de negócio sustentados por IA nativa, legal engineers e fluxos automatizados que liberam tempo para atividades de maior valor.
Ao consolidar as duas visões, o cenário demonstra que a IA não apenas cria ferramentas, mas inaugura novos modelos de negócio, redefine práticas profissionais e exige estruturas robustas de segurança e ética. Seja na proteção de vozes ou na transformação da prática jurídica, a adaptação deixou de ser opcional — tornou-se condição para permanecer relevante em mercados que, pela primeira vez em décadas, deixaram de ser estáveis.